Bruna Marquezine é a vítima da vez do julgamento online - Atual Beleza

Bruna Marquezine é a vítima da vez do julgamento online

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Bruna Marquezine é a vítima da vez do julgamento online

O caso evidencia algo que vai muito além dos peitos de Bruna Maquerzine: a pressão por um ideal de beleza feminino impossível de ser alcançado.

Bruna Marquezine é a vítima da vez do julgamento online
Bruna Marquezine é a vítima da vez do julgamento online


No fim de janeiro, foi a vez de Rihanna. Como se o adjetivo fosse algo pejorativo, ela foi chamada de gorda na internet e questionada se estava grávida. Neste Carnaval, Bruna Marquezine virou o alvo. Após postar uma foto com seu look no Bloco da Favorita, uma enxurrada de fiscais do corpo alheio começaram a comentar sobre seus peitos. “Nossa, que feio. Parece que amamentou 500 filhos”. “Também concordo. Vá suspender esse peito com silicone. Tá horrível”, escreveram algumas pessoas no Instagram. Tanto a cantora de Barbados quanto a atriz brasileira sofreram body shaming e levantaram, mais uma vez, um debate sobre padrões de beleza.

Mesmo dentro de boa parte do que ficou conhecido como padrão estético, Bruna não ficou livre dos julgamentos — o que evidencia como é preciso desconstruir uma ideia única de beleza. Se Bruna tem ou não o que os usuários da rede social caracterizam como “peitos caídos” não está em debate, mas o julgamento que mulheres recebem, principalmente quando parecem estar livres e felizes com o que veem no espelho, sim. Como Rihanna poderia estar satisfeita tendo engordado? Como Bruna poderia estar tão confortável dentro de sua fantasia?






A discussão é mais embaixo, e as redes sociais só aglutinaram uma situação sexista e aparentemente insaciável na vida das mulheres. Provavelmente, se Bruna cedesse à pressão e resolvesse fazer uma cirurgia plástica, ela seria condenada por não valorizar a “beleza natural” e adotar um comportamento supostamente fútil. Há uma cobrança, na maioria das vezes invisível, para que mulheres estejam sempre “impecáveis”, baseadas em um padrão branco e um ideal de juventude — qualquer sinal de idade ou suposto descuido acaba virando um pesadelo. “Você deve amamentar”, diz a voz tradicional da sociedade. “Mas não pode ter nenhuma marca de que isso aconteceu”. O mais contraditório é que quando alguma delas cede à pressão, porém, um novo bombardeio é feito. Como esquecer do caso Renée Zellweger? Afinal, cirurgias plástica provam que o trabalho de conquistar o ideal da feminilidade é exatamente isso: trabalho. E, idealmente, a feminilidade nunca se mostra como uma construção, ela deve se apresentar como algo natural. O paradoxo da beleza.
O bom é que estamos em 2018. E as redes sociais também concentram boas iniciativas, especialmente criadas por elas, as mulheres que estão cansadas dos julgamentos. Lá no Reino Unido, uma blogueira de 23 anos chamada Chidera Eggerue criou a hashtag #SaggyBoobsMatter.
Cansada de ter que se desdobrar para encontrar maneiras de levantar seus peitos embaixo das roupas (sem que ninguém percebesse que isso estivesse acontecendo, é claro), ela resolveu criar essa rede online para que todas vissem que, olha só, é 100% normal não ter os peitos empinados que surgem em filmes e propagandas. A hashtag começou a encher e agora já concentra quase 800 fotos de mulheres corajosas com seus decotes. “Graças a má representação de peitos flácidos na mídia, nós fomos ensinadas que só há uma forma de ser bonita, e isso inclui ter peitos empinados. Mas a maioria desses filmes, campanhas e clipes são dirigidos por homens (que, na maior parte do tempo, nem sabem o que eles querem). Se eu tivesse visto mulheres com peitos caídos sendo também sendo glorificadas por sua beleza, eu não teria desenvolvido um complexo ainda na adolescência”, escreveu ela sobre o começo do movimento.
Há que se desassociar a felicidade e o sucesso a partir de um ideal corporal. Não há como negar que ele afeta principalmente as mulheres, prejudicando a autoestima quando são ainda adolescentes e crescendo em desconexão com o próprio corpo. Se conectar com o natural é importante para a libertação como um todo. E há que se celebrar diferentes tipos de beleza, e mulheres que, juntas caminham, rumo à liberdade.

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